A psicanálise floresce em Viena com Sigmund Freud ao final do século XIX e início do século XX. O propósito inicial da psicanálise era tratar o adoecimento neurótico das histéricas. Um dos objetivos de seu criador, era que a psicanálise fosse reconhecida mundialmente. Enfim, os anos se passaram, o conhecimento foi difundido no mundo e outros psicanalistas renomados entraram em cena. Klein, Lacan, Winnicott, Stoller, Bion, dentre outros. Os objetivos de cada psicanálise proposta pelos autores eram diferentes, entretanto, todas falavam do inconsciente e da subjetividade humana.
Seria possível a psicanálise ser aplicada ao trabalho? Tal conjectura, é objeto de indagação deste esboço de artigo.
A administração científica tem seu início no século XX com Taylor. O engenheiro, dedicou seus estudos a controlar o trabalho humano dentro das fábricas. Para isto, utilizou de métodos de fragmentação do trabalho, cronometragem das atividades e relações hierarquizadas, sucateando a subjetividade humana. Utilizando-se da racionalização mecanismo de defesa proposto por Freud, Taylor criou a administração científica.
No século XXI, as empresas são vistas como cérebros humanos. Onde a flexibilização, a multiplicidade de funções e a linguagem são imprescindíveis para o sucesso do negócio. Tal comparação com o cérebro humano é feito a partir das mudanças originárias da empresa sueca Volvo, que pretendo descrever seus processos de gestão em outro artigo. O século da informação existe, onde o conhecimento tácito é mais valorizado que o explícito, assim como um cérebro, os neurônios são de suma importância para transmissão de informações entre um dentrito e um neurônio. Porém, são as informações tácitas, cristalizadas, oriundas da inteligência que fazem a diferença no mundo dos negócios.
Neste sentido, para um fluxo contínuo de informações é necessária a interação humana. Enquanto algumas correntes da administração discorrem da importância da racionalidade no ambiente de trabalho, sem a subjetividade e a singularidade de cada sujeito não seria possível o desenvolvimento organizacional.
Para Freud o inconsciente funciona como um grande recipiente, num contínuo de energias, de fatos e eventos traumáticos recalcados. Ora, só se percebe uma barreira, quando ela falha. Através dos atos falhos, sonhos, chistes e sintomas. Seria a busca da racionalização exacerbada no ambiente de trabalho, uma forma de obter controle do recalcado? Será que os erros dos sujeitos dentro das organizações pode ser compreendido como uma maneira de aparecimento da subjetividade? Dentre tantas indagações, cabem metáforas e analogias.
Se Lacan considera o nó borromeano, composto por Real, Imaginário e Simbólico. Podemos pensar as organizações, dentro de um nó também. Sendo o simbólico a cultura organizacional, o imaginário as pessoas e o Real aquilo que é desconhecido, aquilo que tenta ser racionalizado, controlado, que estrutura os processos organizacionais. Tal empresa só sobrevive, porquê são ligadas libidinalmente por energia psiquícas, tomando como base o texto psicologia das massas e análise do eu, do Freud. As pessoas se ligam a líderes através da libido, a estrutura do Supereu é dissolvida e através da sugestão do líder realizam atos. Tal ação é atendida através da transferência.
Portanto, quando se pergunta a psicanálise pode ser utilizada dentro das organizações? A resposta é sim, e a pergunta é: a serviço de quem?

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