Após protestos, Santander Cultural encerra
exposição queer um mês antes - Jornal do Comércio (JCRS, UOL, 2017).
Assim como a maioria dos últimos textos e pronunciamentos das pessoas nas redes
sociais desde setembro, este esboço pode ser considerado como não-todo.
A onda conservadora que assola o Brasil desde o afastamento
da Ex-presidente Dilma Rousseff, pode ser considerada como um dos maiores
retrocessos da história do país. O estado democrático direito que avançava
escassamente desde a década de 80, visando promover a equidade de acessos a
educação, saúde e moradia causado pela desigualdade da estratificação social,
teve sua interrupção a pouco mais de um ano. Se tornando apenas um estado parcial
de direito.
No
mês de setembro, uma instituição financeira privada situada na região sul do
país, teve sua amostra cancelada devido a manifestações conservadoras, acerca
de seu conteúdo. O conteúdo queer, oriundo da sexualidade, provocou uma espécie
de intolerância, estranhamento e uma percepção deformada acerca do real sentido
da exposição.
Em
textos piagetianos, poderia ser dito que tal estranhamento é fonte de um sistema
operatório formal que não foi suficientemente desenvolvido. Nos textos pós
piagetianos, as considerações se extrapolariam aos conceitos de pensamento
reflexivo e pós formal. Entretanto, este texto não-todo, é um liame das teorias
psicanalíticas e sociais.
Palavras
como safadeza e perversão foram utilizadas por algumas pessoas, em seus
discursos de intolerância. Citando Freud, em seus Três ensaios sobre a
sexualidade, perverso é toda atividade sexual que é desviante da atividade
sexual da reprodução. Esta perversão que a maioria dos discursos se referiram, foi
alimentada até certo ponto por uma pulsão, a pulsão escópica. No século XXI a sexualidade ainda se configura como um
tabu, remetendo-se sempre ao recalcado, aquilo que foi traumatizante.
O
caos no contexto político brasileiro, causou grandes perdas para a população brasileira
em geral. Com a falta de perspectiva de melhoria econômica e altos índices de
desemprego, a falta do labor para sublimar a pulsão, provoca inconscientemente
o retorno do recalcado. Com um campo simbólico com escassas alternativas para
descarga da pulsão, a insuficiência da castração, da lei. A função do social é
o de ratificar a castração e não o de promover o afrouxamento.
Entretanto
como um texto não todo e com uma interlocução social, pode-se fazer uma
analogia entre o sintoma do sujeito e sintoma social. Sendo o discurso da
intolerância um sintoma social, estariam as pessoas provocando sintomas para
não lidar com um todo complexo? Com um texto político, econômico e ético
degradante?
Encerro
minha escrita com uma crítica parcial, um sentimento de incompletude e um
desejo de movimentar-me junto à população que acredita e manifesta por um
estado democrático de direito.













