segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O mito da amabilidade brasileira e o tratado da gratidão


Brasil, país do futebol, praias, mulheres, comidas, caipirinhas, povo alegre, feliz e dócil.



O conjunto de crenças descritas acima, traduzem a cultura que é compartilhada e reproduzida, através de práticas discursivas em todo o mundo. Do que é o Brasil e ser brasileiro. Acerca da objetificação da mulher, publicarei posteriormente um texto. Pois, o tema carece de ser discutido e explanado.

A matriz cultural brasileira, retrata um país extenso em sua territorialidade, com costumes diferentes. Fruto de seu processo de colonização de diferentes culturas. O mito que sempre existiu é de que o brasileiro é dócil.

A docilidade ecoada na voz de milhares habitantes do planeta, só pode ser da docilização dos corpos, no ambiente empresarial e penal, retratada por Folcault. 

Como pode um povo tão dócil, viver em guerras nas periferias? Como pode um povo tão dócil matar e assaltar generalizadamente em um Estado? Como pode um povo tão dócil desejar a morte de uma pessoa, por conta de um ódio implantado a um partido? Como pode um povo tão amável matar travestis todos os dias?

O mito implantado só tem uma função, manter a visão dos habitantes do país fechada. Por maiores que sejam as atrocidades que acontecem em território nacional, sempre haverá um ‘’porquê’’ agiu de determinada maneira em tal ato.


São Tomas de Aquino, ao publicar o tratado da gratidão, examina os aspectos lingüísticos presente na cultura. E o divide em três graus, sendo o último só encontrado na língua portuguesa.


O primeiro grau refere-se ao reconhecimento, (ut recognoscat), encontrado na língua inglesa, ‘’Thank You’’. O segundo refere-se a dar graças,  (ut gracias agat),  ‘’Merci’’ em francês, eu dou-lhe uma mercê, estou grato. ‘’Gracias’’ em espanhol, ‘’Gratze’’ em Italiano. E o terceiro nível é o do vínculo ‘’Obrigado’’ em português. Fico-vos obrigado, Fico obrigado perante vós.

Como um povo que se comunica através do vínculo, não constrói vínculos? Seria uma condição atual da pós modernidade e sua liquidez? Ou falta análise nos discursos cotidianos?

O tratado da gratidão parece não existir no Brasil, não somos gratos por sair do mapa da fome, não somos gratos por ter novas universidades, não somos gratos por toda revolução tecnológica que aconteceu neste país. Não somos amáveis e em gratos.



E você já estabeleceu vínculos hoje?

Obrigado Professor Jean Lauand, por publicar um artigo sobre o Tratado da Gratidão.
http://www.jeanlauand.com/AntonioNovoa.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário